• MANIFESTO REGENERATIVO

    Aliança da Sociedade Civil em prol da Reconexão, Resiliência, Resistência e Regeneração de Brumadinho, Paraopeba e Brasil

    Primeiro foi o Rio Doce. De Bento Rodrigues desceu a lama contaminando tudo, até chegar ao mar. Agora, o Córrego do Feijão em Brumadinho. A lama vai seguindo seu rumo pelo Rio Paraopeba, levando consigo mortos e desaparecidos, deixando atrás de si uma comunidade catatônica pela perda de seus queridos, seus pertences e seus territórios. Uma enxurrada de atingidos: gente, bicho, terra, Natureza.

    Chamados a acolher afetiva e solidariamente aos atingidos pela lama, articulamos uma rede de ajuda para o reerguimento de suas vidas. Esse Manifesto é a base da construção da Aliança Regenerativa da Sociedade Civil em prol da Reconexão, Resiliência, Resistência e Regeneração de Brumadinho, Paraopeba e Brasil, em resposta à agressão sofrida pelo Rio Paraopeba e seus habitantes. É um chamado para a ação: pela construção de comunidades mais resilientes; pela compreensão das causas que ameaçam a vida; pela reconexão com a Natureza, de uns com os outros e com nós mesmos e pela regeneração do pensamento humano, entendendo que é a partir dele que os danos que já causamos se originam.

    Com o sentimento de que podemos aprender com os erros e facilitar o processo de expansão de consciência e de organização, nós da Aliança Regenerativa oferecemos nosso tempo, cuidado e atenção. Nossa proposta é facilitar a compreensão das causas destas tragédias provocadas e orientar coletivamente ações que evitem novos desastres como estes.

    Este Manifesto é um pedido de ajuda e de resistência à visão corporativa focada no capital como meta única; à falta de conduta integrativa, responsável e ética de todos os setores da sociedade; ao descaso dos governantes e ao processo de alienação e divisão das comunidades. É um apelo pela segurança de nossas cidades, quiçá pela própria sobrevivência de nossa espécie.

    Esse trabalho propõe que nos reconheçamos para além das fronteiras ideológicas, religiosas, identitárias e de estereótipos que nos dividem. Estamos unidos em um propósito comum que inclui a regeneração primeira do pensamento humano que causa desequilíbrio e, posteriormente, das áreas afetadas. Da mesma forma, que estejamos unidos pela construção de uma sociedade onde tragédias desse tipo, nascidas da ganância, não mais aconteçam.

    Nós, signatários - pessoas, ONGs, coletivos, empresas - desse Manifesto -, integramos essa Aliança Regenerativa para que seja a semente de um dia em que todos viverão bem, em comunidades abundantes de uma Terra saudável.

    Frentes aos desafios de viver em um sistema condicionado, nos comprometemos com as seguintes ações:

    1. Reconexão: com a Natureza, os animais, os rios e as matas, com as pessoas, com o divino e com nós mesmos. Somos parte de um todo, sendo uma ilusão enxergar o ser humano dissociado do planeta. Reconectar de forma profunda com a Terra e todos os seres é o caminho para práticas sustentáveis e conscientes. Sejam elas, desde mudanças individuais de padrões de consumo até grandes transformações nas políticas públicas, referentes as atividades da indústria de mineração, extrativismo, agricultura, pecuária e a todas as outras que afetam a vida partilhada.
    2. Resiliência: comunidades unidas e solidárias entre si. Frente aos desafios de viver em um sistema insustentável e irresponsável, é certo que outras tragédias ocorrerão. É necessário semear comunidades solidárias, capazes de enfrentar as adversidades e de se reerguerem quando forem atingidas. 
    3. Resistência: à destruição acelerada do meio ambiente e a toda e qualquer ameaça à vida. Oferecer resistência e impedir que novas tragédias aconteçam, com ações em todas as frentes possíveis, alicerçadas na responsabilidade do amor, na não-violência e em atos pacíficos de inconformismo e desobediência civil.
    4. Regeneração: do pensamento humano, primeiramente, para refletir na regeneração socioambiental de toda a região afetada ao longo do Rio Paraopeba, pois a destruição acelerada da Natureza reflete a nossa própria degradação. Com espírito solidário seremos participantes do reerguimento das comunidades afetadas e da recuperação do meio ambiente. 


    Acreditamos que gente, bicho, terra e Natureza, juntos, integrados e solidários, contaremos uma história diferente para as próximas gerações.

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